Agora como podemos ajudar?

O barco do aborto não pode entrar nas aguas territoriais de Portugal, e não ha muito que a Linha Aberta possa fazer pelas dezenas de mulheres que telefonam pedindo ajuda. Nos perguntamos a Cecília, uma psicóloga trabalhando para a Linha Aberta da Women on Waves, para nos contar suas experiências.

''E horrível, terrível mesmo, não poder ajudar essas mulheres. Eu me pergunto porque temos essa Linha Aberta se não podemos dize-las onde ir, o que fazer. Se o barco estivesse atracado no porto de Figueira da Foz poderíamos traze-las a bordo e ajuda-las gratuitamente.

''A ultima chamada me emocionou porque a mulher me disse que a prevenção falhara. Umas das coisas mais importantes para as pessoas e ter controle da situação, e para ter controle tem-se que tomar precauções. Ela tentou tudo pensando ?Eu estou me protegendo, eu não vou engravidar?, e se uma coisa estúpida como uma camisinha furada acontece ? no fim das contas ela não tinha controle algum da situação, deve ser muito enervante. E se não ha outras opções como o aborto, e terrível.

A maioria das mulheres que nos telefonam já tem duas ou três crianças, não tem dinheiro, tem medo de contar aos maridos que querem um aborto. Houve um telefonema de uma mulher que não podia ficar mais de um dia fora de casa porque senão seu marido ficaria muito bravo com ela. A maioria dos telefonemas contra nossa acção são feitos por homens, chincando-nos de Putas, coisas nesse nível. Muito agressivos. Eu acho que os homens reagem assim porque eles não tem a menor ideia do que e estar gravida, o quPutas'', sò e ter uma criança na barriga e não poder ou querer te-la?

''Eu não sei o que vai acontecer com essas mulheres que não podemos ajudar, nos s esperamos que elas possam encontrar ajuda em outros lugares, nos esperamos que possam pagar por um aborto seguro. Provavelmente algumas delas terão seu terceiro ou quarto filho. Isso e muito difícil para mim, eu fico muito brava com essa situação.

''E muito bom que nos também recebamos tantos telefonemas de apoio, muitos muitos telefonemas. Ontem telefonaram uns trabalhadores portugueses, de uma plataforma do mar perto da Grécia nos apoiando. Eles disseram que eles sabiam das Women on Waves, e que se envergonhavam desse governo que na maioria das vezes não toma posição alguma, e agora fazem uma palhaçada dessas.